EFPIA | Estudo WifOR revela: cada 1€ investido em medicamentos inovadores retorna 5,67€ à Europa

Em junho de 2026, a European Federation of Pharmaceutical Industries and Associations (EFPIA) publicou um estudo inédito sobre o valor econômico e social da inovação farmacêutica na Europa. Conduzida pelo instituto alemão WifOR, em parceria com o professor Frank R. Lichtenberg, a pesquisa analisou dados de 29 países europeus entre 2014 e 2024 e chega a uma conclusão direta: o subinvestimento em medicamentos inovadores não representa economia, mas custo transferido para outra parte do sistema de saúde.

O conceito por trás dos números: o drug vintage

Para mensurar o grau de inovação efetivamente incorporado à prática clínica, o estudo recorre a um conceito consolidado na economia da saúde: o drug vintage, a “safra” do medicamento, definida pelo ano em que a substância obteve aprovação junto ao FDA americano. Quanto mais recente a média ponderada de vintage utilizada em um país, maior a penetração de terapias novas na rotina assistencial.

Entre 2014 e 2024, essa média avançou 3,1 anos nos três grupos terapêuticos analisados — aparelho digestivo e metabolismo, antineoplásicos e imunomoduladores, e sistema respiratório. Um modelo econométrico de efeitos fixos, aplicado separadamente para cada desfecho, associa esse avanço a:

  • redução de 1,83 milhão de anos de vida perdidos antes dos 85 anos;
  • redução de 20,9 milhões de dias de internação hospitalar, equivalente a liberar mais de 57 mil leitos por um ano inteiro.

Da saúde para a economia: a metodologia Health Footprint

A etapa seguinte do estudo converte esses ganhos de saúde em valor monetário, por meio da metodologia Health Footprint, desenvolvida pelo próprio WifOR. O racional é direto: pessoas mais saudáveis produzem mais, sustentam atividades não remuneradas e demandam menos recursos hospitalares. O benefício socioeconômico total foi decomposto em três frentes:

  • produtividade do trabalho remunerado: € 38,10 bilhões;
  • contribuições não remuneradas, como cuidados informais e tarefas domésticas: € 18,96 bilhões;
  • economia direta com internações evitadas: € 9,11 bilhões.

A soma resulta em € 66,18 bilhões gerados entre 2014 e 2024, frente a um investimento incremental de € 11,67 bilhões associado à adoção de medicamentos mais recentes. O retorno médio sobre o investimento (return on investment, ou ROI) chega a 5,67 vezes: cada euro investido devolveu € 5,67 à sociedade europeia.

O retorno varia conforme a área terapêutica: medicamentos oncológicos entregaram 6,8 vezes o valor investido, seguidos por aparelho digestivo e metabolismo (4,7 vezes) e respiratórios (3,8 vezes). Isoladamente, as economias hospitalares já recuperam 78 centavos para cada euro aplicado, sem contar os ganhos de produtividade.

Um desafio que a Europa compartilha com outros mercados

O estudo chega em um momento de disputa acirrada por investimento em pesquisa e desenvolvimento farmacêutico. A participação europeia no total global de P&D do setor caiu de 41% em 2001 para 31% em meados da década de 2020, enquanto o hiato de investimento entre Estados Unidos e Europa saltou de € 2 bilhões para € 25 bilhões no mesmo período. Soma-se a isso o tempo médio de espera do paciente europeu por um medicamento recém-aprovado: 532 dias, podendo superar 1.200 dias em alguns Estados-membros.

A lição é transferível a qualquer geografia cuja competitividade dependa de agilidade regulatória e previsibilidade de mercado: sem incentivos claros ao registro e ao acesso, o ecossistema de pesquisa migra para onde a inovação é reconhecida e recompensada — movimento já observado na Ásia e nos Estados Unidos.

O que isso significa para o Brasil e para a América Latina

Para mercados emergentes, o estudo reforça um argumento estratégico: agilidade regulatória e previsibilidade de acesso não são apenas questões de competitividade econômica, mas também de saúde pública. No Brasil, iniciativas recentes de simplificação regulatória — implementação do e-CTD a acordos de reliance com autoridades reguladoras equivalentes — caminham na mesma direção observada pela EFPIA: reduzir o tempo entre a aprovação e a chegada do medicamento ao paciente.

Fortalecer o Complexo Industrial da Saúde, atrair investimento em desenvolvimento local e garantir acesso oportuno a terapias inovadoras são, à luz destes dados, decisões com retorno mensurável — para os sistemas de saúde, para a economia e, sobretudo, para os pacientes.

O estudo completo, o press release e a infografia da EFPIA estão disponíveis em: https://www.efpia.eu/news-events/the-efpia-view/statements-press-releases/every-1-invested-in-new-medicines-returns-567-to-europe/


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